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O que é pré-eclâmpsia? Saiba identificar sintomas e riscos

Condição que eleva a pressão arterial durante a gravidez é a principal causa de mortalidade materna no país; conheça os fatores de risco e prevenção

Por Larissa Beani 23 ago 2023, 13h49
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Pré-eclâmpsia atinge cerca de 7% das gestantes brasileiras (DCStudio/Freepik/Reprodução)
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Aumento da pressão arterial, inchaço e perda de proteína pela urina durante a gravidez são os principais sinais da pré-eclâmpsia, uma condição que traz riscos a gestantes e seus bebês.

A pré-eclâmpsia vai muito além do aumento da pressão arterial”, alerta o obstetra e ginecologista Leandro Gustavo de Oliveira (SP). “Ela envolve uma resposta inflamatória sistêmica que pode causar comprometimento de vários órgãos.”

No Brasil, cerca de 7% das grávidas recebem o diagnóstico, segundo uma revisão de estudos feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

O número está dentro da média mundial (que varia de 5% a 10%) e tem crescido nos últimos anos, apontam especialistas.

A seguir, conheça os sintomas, fatores de risco e complicações decorrentes da doença — e saiba como preveni-la.

+ Leia também: Hipertensão Arterial: o que é, sintomas e possíveis tratamentos

Sintomas de pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia se manifesta a partir da 20ª semana de gravidez e acompanhado de uma série de sintomas. Entre eles estão: 

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  • Pressão igual ou superior a 140 mmHg por 90 mmHg
  • Proteinúria (presença de proteína na urina)
  • Inchaço, principalmente das mãos e do rosto
  • Ganho de peso excessivo (relacionado ao inchaço)

A condição também pode ser assintomática. Por isso, é importante que grávidas realizem exames periódicos de urina e aferição da pressão arterial para garantir que a saúde esteja em dia.

Causas

A causa exata da pré-eclâmpsia ainda não foi descoberta, mas acredita-se que ela esteja relacionada a disfunções placentárias.

Isso porque, quando o tecido responsável por levar oxigênio e nutrientes ao bebê não se desenvolve como deveria, células chamadas trofoblastos (importantes para o desenvolvimento embrionário e da própria placenta), produzem substâncias inflamatórias.

+ Leia também: Comer placenta traz benefícios à saúde?

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“Quando elas caem na corrente sanguínea da gestante, lesam o endotélio, que é o revestimento interno dos nossos vasos sanguíneos”, explica Oliveira, que também é professor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB/Unesp).

Essa inflamação pode atingir vasos de diversos órgãos, como fígado, rins e cérebro. Por isso, o comprometimento da pré-eclâmpsia vai além da hipertensão: ele é sistêmico.

Fatores de risco

Mulheres que enfrentam doenças crônicas prévias estão entre aquelas com maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia. São exemplos:

A condição também pode atingir mais as mulheres que estão grávidas pela primeira vez, já tiveram pré-eclâmpsia em gestações anteriores ou tem histórico familiar.

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Também são mais afetadas aquelas que estão em gestação gemelar (aguardando mais de um bebê), engravidaram pela última vez há 10 anos ou mais e já completaram 40 anos.

+ Leia também: 11 coisas que acontecem com o corpo da mulher na gestação

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser confirmado pela medição da pressão arterial e por exames de sangue e urina. Também são levados em consideração os sintomas relatados pela mulher.

Além disso, são realizados exames de imagem para avaliar as características e condições do feto. Estas informações são essenciais para formular o plano de tratamento.

Tratamento

Uma vez que a mulher apresente a condição, o quadro só irá cessar quando a placenta for retirada do útero. Por isso, a única forma de “curar a pré-eclâmpsia” é realizando o parto

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A solução parece ser simples, mas, na verdade, demanda muita ponderação. Isso porque, quanto mais cedo a gestante apresenta o problema, maior é o risco de prematuridade do bebê.

“O quadro de uma mulher com pré-eclâmpsia na 20ª semana é muito mais delicado do que o daquela que é afetada ao final da gestação”, compara Oliveira.

De forma geral, o tratamento visa o controle da pressão arterial e o amadurecimento do feto. Quando o bebê for considerado apto a sobreviver fora do útero da mãe, o parto pode ser induzido ou realizado por cesárea.

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Ginecologistas e obstetras são os profissionais capacitados para indicar os medicamentos mais adequados tanto para o alívio do quadro da mulher quanto para o desenvolvimento do feto.

O quadro também deve ser acompanhado por outros especialistas quando a paciente apresentar problemas de saúde prévios.

Complicações

Quando a pré-eclâmpsia não é corretamente controlada, a gestante pode apresentar:

Este quadro epiléptico é chamado de eclâmpsia e põe em risco a vida da mãe e do bebê. Por sorte, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), ele ocorre em menos de 0,3% das gestações.

Ainda assim, a pré-eclâmpsia é uma condição preocupante. No mundo todo, mais de 70 mil mães e 500 mil bebês morrem todos os anos por conta deste problema. 

No Brasil, ela é a principal causa de morte materna e também um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares a longo prazo.

“A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez que pode causar problemas cardíacos para o resto da vida, como maior predisposição a hipertensão crônica, insuficiência coronariana e infarto”, alerta a cardiologista Walkiria Samuel Avila, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

“É importante ressaltar esses dados, pois as mulheres cuidam muito pouco da saúde do coração”, afirma a especialista.

+ Leia também: Pré-eclâmpsia dobra o risco de doenças cardíacas por até 10 anos

Prevenção

Uma forma evitar o surgimento da pré-eclâmpsia é cuidando previamente de condições que predisponham ao problema.

“É essencial que pacientes com problemas crônicos consigam controlar seus quadros antes e durante a gestação”, afirma Oliveira.

A depender do fator de risco da mulher, também podem ser indicadas a suplementação de cálcio e a ingestão de ácido acetilsalicílico ao longo da gravidez.

Manter hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada e atividade física em dia, também pode ajudar. “São recomendações gerais que devem ser seguidas por todas as mulheres”, conclui o ginecologista.

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